São estas as lágrimas que escorrem-me pela face:
Espasmos agudos que me esfaqueiam a pele,
e que deixam mais aberta a ferida que trago no peito...
Vazia, sou como um imenso deserto bem seco,
que anseia tanto por água como eu de amor.
Se estas lágrimas pudessem saciar o meu deserto,
se tu me permitisses a eternidade,
jamais sairiam facas dos meus olhos
e a ferida no meu peito, essa, curava-a o vento.
"Lanço uma grandiosa âncora de amor no universo! Lanço-a, agora, a partir do meu coração. Lanço-a, usando a robusta corda do meu amor, e permito que essa âncora alcance o ser amado. E agora, junto com os fogos do coração e da devoção suprema ao propósito cósmico, por amor, amor e somente amor, atraio esse ser humano, onde quer que esteja e quem quer que seja. Atraio esse amor para o meu coração e conheço o verdadeiro significado da Vida que se torna Vida, o verdadeiro significado da Unidade Universal."
Buda
...porque faz sempre bem acreditar que existe alguem que nos procura, como nós o procuramos; que existe alguem que nos quer amar tanto como nós o queremos amar... Porque faz sempre bem acreditar que o amor é possivel e que é a resposta.
Um fim de semana cheio de muito amor para todos!
"Oh Shiva, o que é a tua realidade?
O que é este universo tão cheio de espanto?
Que coisa forma a semente?
Quem serve de meão à roda do universo?
O que é esta vida para além da forma que invade as formas?
Como se pode entrar nela totalmente, por cima do espaço e do tempo, dos nomes
e dos sinais?
Esclarece as minhas dúvidas!"
De um texto sagrado do Shivaísmo Caxemirense
"...espelho, és a terra onde as raízes rebentam de mistérios.
Repetes as perguntas que te faço, porquê? Repetes
os olhares sem fim das coisas paradas, repetes o meu olhar.
Espelho, és a parede e a pele cansada, és um silêncio a morrer à noite,
é o que ninguém quer, a verdade mais triste e cansada por dentro.
Repetes as perguntas que te faço, porquê? Repetes
a desgraça, a miséria e o desespero.
Espelho, quis conhecer-te e perdi-me de ti"
José Luis Peixoto in A criança em ruínas
«Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei prá minha boca!...»
Florbela Espanca in Livro de Mágoas
(...que sonhei para a minha boca, para o meu coração, para a minha alma...
Mas agora, a lua que cresce neste momento, quero senti-la nas minhas veias, fluxo de vida renovada...)
«Momentos são iguais àqueles
Em que eu te amei,
Palavras são iguais àquelas
Que eu te dediquei.
Eu escrevi na fria areia
Um nome para amar,
O mar chegou, tudo apagou,
Palavras leva o mar.
Teu coração, praia distante
Em meu perdido olhar,
Teu coração, mais inconstante
Que a incerteza do mar.
Meu castelo de carinhos
Eu nem pude terminar,
Momentos meus, que foram teus
Agora é recordar.»
Gal Costa
Porque existe alguém que cuida de nós momentos de dor e angústia...
«A alegria é como uma borboleta
que esvoaça baixinho sobre os campos
mas a dor é como um pássaro
de grandes asas negras e robustas
que nos transporta acima da vida
que existe lá em baixo ao sol entre a verdura.
E esse pássaro voa alto,
até onde os anjos da dor estão de vígilia
sobre o leito da morte.»
Edith Sodergran in "O enigma e o espelho" - Jostein Gaaarder
Acabei mais um livro. Este livro foi daqueles que mal o vi senti que tinha que o ler. Reparei nele durante os dias em que estive fora da minha cidade e pensei que quando chegasse cá abaixo tinha-o que comprar. Agora que o terminei, concluo que é uma história diferente das que li até hoje, mas que em certos aspectos se assemelha muito
à minha história de vida actual. Percebo agora porque entrou na minha vida. Dele retiro este pequeno excerto que diz tanto...
«A única realidade é a vida.
A vida liberta a consciência para a escolha de forma nenhuma ou de infinitos múltiplos de triliões de formas, qualquer forma imaginável.
A consciência pode esquecer-se a si própria, se quiser. Pode inventar limites, começar ficções; pode fingir galáxias e universos e multiversos, buracos negros, buracos brancos, grandes explosões primitivas e fases estáveis, sóis e planetas, planos astrais e físicos.
Vê tudo o que imagina: guerra e paz, doença e saúde, crueldade e ternura.
E sempre que quiser pode lembrar-se de quem é, recordar a realidade, recordar o Amor. Nesse instante, tudo muda...
(...)
A única coisa que perdura é o Amor!
No princípio do universo... antes da grande explosão, nós existíamos!
Nós somos a ponte para a eternidade, cavalgando o mar, procurando a aventura por prazer, vivendo mistérios por gosto, escolhendo tragédias, triunfos, desafios, adversários impossíveis, pondo-nos continuamente à prova, aprendendo o amor o amor o AMOR!»
Richard Bach in A Ponte para a Eternidade
«Os guerreiros da luz mantêm o brilho nos olhos.
Estão no mundo, fazem parte da vida de outras pessoas, e começaram a sua jornada sem alforge e sem sandálias. Muitas vezes são covardes. Nem sempre agem correctamente.
Sofrem por coisas inúteis, têm atitudes mesquinhas, e, às vezes, julgam-se incapazes de crescer. Frequentemente, acreditam-se indignos de qualquer benção ou milagre.
Nem sempre têm a certeza do que estão a fazer aqui. Muitas vezes passam noites em claro, achando que as suas vidas não têm sentido.
(Por isso são guerreiros da luz. Porque erram. Porque se interrogam. Porque procuram uma razão - e com certeza vão encontrá-la.)»
Paulo Coelho in Manual do Guerreiro da Luz
-Mais palavras para quê? Está tudo dito....
«Um guerreiro da luz sabe que certos momentos se repetem.
Com frequência, vê-se diante dos mesmos problemas e situações que já havia enfrentado; então fica deprimido, pensando que é incapaz de progredir na vida, já
que os momentos difíceis estão de volta.
"já passei por isto", reclama ele com o seu coração.
"Realmente, já passaste", responde o coração. "Mas ultrapassaste."
(O guerreiro, então, compreende que as experiências repetidas têm uma única finalidade: ensinar-lhe o que não quer aprender.) »
Paulo Coelho in Manual do Guerreiro da Luz
Realmente faz sentido o que estou a passar: as ânsias, os devaneios e as dúvidas que bem há pouco tempo me consumiram e que voltaram... Pelos vistos não consegui aprender o suficiente com a última vez...segui o meu instinto, o meu coração, tentei reconhecer os sinais... concluo que não reflecti e interiorizei o suficiente para não voltar a repetir a mesma situação. Daí a necessidade de me deixar envolver novamente, e foi mesmo necessidade, pois tenho plena consciência do momento em que aconteceu, eu sabia que a minha resposta era decisiva... e dei a que sabia que me iria à partida fazer passar por tudo novamente. Eu senti-o nesse momento. Cheguei a pensar que era uma mártir por iniciativa própria... agora já percebo. Como tudo se encaixa...
«Em atitudes e em ritmos fleumáticos
Erguendo as mãos em gestos recolhidos,
Todos brocados fúlgidos, hieráticos,
Em ti andam bailando os meus sentidos...
E os meus olhos serenos, enigmáticos
Meninos que na estrada andam perdidos,
Dolorosos, tristíssimos, exáticos,
São letras de poemas nunca lidos...
As magnólias abertas dos meus dedos
São mistérios, são filtros, são enredos
Que pecados de amor trazem de rastros...
E a minha boca, a rútila manhã,
Na Via Láctea, lírica, pagã,
A rir desfolha as pétalas dos astros!...»
Florbela Espanca in RELIQUIAE (1931)
Coração que flameja pecados de amor,
olhar perdido que desfolha a vida.... que será de mim?
A chuva que cai lá fora sinto-a como se o meu corpo tocasse, escorrendo na minha pele
como cúmplice dos meus desejos. Chuva ardente de sensações não vividas, de respostas não encontradas. Alma do mundo que aquece a cada instante ancorada a mim e que renasce. Renascem os aromas da terra, do sangue e da vida.
Que louca sou... fazer da chuva os teus dedos, o teu corpo.
"Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive..."
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)
Um fim de semana óptimo e cheio de bons momentos para todos!
E os raios de luz no céu negro da noite são os confidentes secretos dos devaneios do
meu coração, apaziguando a ânsia em mim presente. Raios de luz que saciam as
minhas dúvidas murmurando às estrelas as minhas preces... E ao vento, no leito da
noite escura, sinto o luar na minha boca!
«Poema XVIII
Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.»
Eugénio de Andrade
E em ti sinto o céu mais perto,
o desejo mais quente,
a vida em chama que me enleia...
...que me aguarda tanta perdição??
«De manhã escureço
de dia tardo
de tarde anoiteço
de noite ardo...»
Vinicius de Moraes
«Diz o Mestre:
A encruzilhada é um lugar sagrado. Ali, o peregrino tem de tomar uma decisão. Por isso,
os deuses costumam dormir e comer nas encruzilhadas. Onde as estradas se cruzam, concentram-se duas grandes energias- o caminho que será escolhido e o caminho que
será abandonado. Ambos se transformam num caminho só- mas apenas por um pequeno período de tempo. O peregrino pode descansar, dormir um pouco, até mesmo consultar os deuses que habitam as encruzilhadas. Mas ninguém pode ficar ali sempre: uma vez feita a escolha, é preciso seguir em frente, sem pensar no caminho que deixou de percorrer. Ou a encruzilhada transforma-se em maldição.»
Paulo Coelho in Maktub
...os nossos caminhos estão cruzados, são por enquanto um só.
Terei que optar, ponderar, fazer a minha escolha que acredito estar já traçada no
meu destino. Aceito-a, seja ela qual for porque sei que será a que terei que viver...
Mas enquanto não me é revelada, vivo este momento com plena entrega atenta aos sinais...